
Eu sempre esperei, ou até mesmo pedi para que o destino trouxesse algo emocionante para a minha vida. Eu sempre pedi para que acontecesse um daqueles amores a primeira vista. Daquelas paixões que viram uma pessoa de cabeça para baixo. Algo que realmente me fizesse algo de diferente na vida. Algo que me consumisse por inteiro, todos os dias, o dia todo. E eu sempre me apoiei na idéia de que esse tipo de coisa seria uma paixão, um amor. Afinal, o que mais poderia causar tantas reações?
Percebi que me vejo como um universo. Meu universo interno. EU, um universo feito por mim, de mim e que só eu consigo chegar lá. É aquela coisa preta, infinita, vazia, sem gravidade. Imensidão.
Como todo universo, eu tenho pequenas estrelas que brilham. Pontos luminosos, luzes que me aquecem aos poucos. Planetas e luas que se mantendo em orbita, acabam por me manter em orbita. São pontos de reconforto, conforto. Considero todos eles como minhas amizades, familiares e felicidades banais que passam pela vida e que de vez em quando arrancam um sorriso dos meus lábios. Logo, eu sempre esperava que no meu universo, cheio de subdivisões, galáxias. Eu encontrasse aquela estrela, aquele astro qual brilharia mais forte desde a primeira vez que eu o visse. Como as outras estrelas, ela estaria lá, porém de uma maneira especial. Ela me confortaria de uma maneira que nenhum outro astro faria. E sempre estive a espera de tal “coisa”.
Até que você apareceu. Você apareceu como aquelas luzes fortes que te cegam quando são acessas na sua cara. Eu não sabia o que fazer. Eu não conseguia pensar, respirar, ouvir, enxergar ou me mover direito. Você foi a explosão luminosa que mexeu com todo meu universo. Uma espécie de big bang.
E em um momento meu universo não era só meu. Não era só eu quem conseguia ver. Você, como seus malditos olhos, conseguia ver através de mim. Ver tudo o que eu não gostaria que você visse. Tudo o que era vazio e escuro, agora, para você, estava se tornando claro e preenchido. Preenchido por você.
E você consegue mover meu mundo do jeito que bem entenderes. Eu penso em você, todos os dias, o dia todo. Virou uma forma de vício meu. Você. Seus olhos. Sua boca. Sua voz. Seu cheiro. Seu jeito. Seu cabelo. Suas qualidades. Seus defeitos. O jeito que você brinca comigo. O jeito como você fala comigo. O jeito que você me olha. Sua risada. Seus pensamentos. O modo que você me entende. O modo como eu espero. A maneira que eu penso. A maneira que eu sinto.
Tudo, tudo que é você virou meu vício. Tudo em você é convidativo para mim.
A cada dia que passa, mais eu tento me enganar. Eu não posso estar a cada dia ficando mais confuso se a cada dia eu sinto algo mais estranho e forte. Se a cada dia eu quero ouvir o que eu sempre quis ouvir desde a primeira vez em que me perdi no seu olhar. Todos os dias eu quero um pouco mais.
Assim, toda vez que te vejo é impossível que eu não fique mexido, movido, agitado, bagunçado por dentro. Pois cada imã que se encontra no meu corpo me puxa pra você, mas minha mente tenta me puxar pra fora. E eu fico nessa indecisão de corpo e mente. Nesse impasse.
Esperando que após você ter roubado meu coração, meus pensamentos, meu fôlego e tudo o que realmente pode importar, que você faça algo. Espero que você faça algo. Assim, espero que quando as luzes se apaguem e eu feche meus olhos, eu consiga enxergar você. Sentir você. Saber que você está comigo. Porque você é tudo o que eu quero. Tudo o que eu preciso.
