É tudo bem estranho não é? Quando pensa ter certeza de algo, as coisas mudam de rumo completamente e tudo o que parecia saber não é nada. Na verdade, foi tudo o que pensa que não passou de nada.
Instintos? É, instintos. É engraçado como as coisas acontecem e como um ser humano pode ficar tão sentimental. Pode não ser nada. Mas de repente, tudo fica tão estranho. Está ao de uma pessoa por circunstâncias da qual você não teve nem uma opção. Era o único lugar para estar. E estava sozinho. E então, olha pro rosto ao lado e os instintos chegam. São só instintos, você pensa. Não, não eram só instintos. Alguma coisa dentro se inquietou. O rosto era algo que fez com que saísse da zona de conforto, incomoda, incomoda o que aquele rosto fazia. A boca pequena. Os dentes perfeitos. Os olhos claro emoldurados em pálpebras cansadas e desinteressadas. O jeito que a pouca luz artificial se escondia e aparecia no cabelo. A voz que não saia da cabeça cantando uma música.
Tenta de qualquer maneira fazer a melhor espécie de contato. E o que era pra ser gentil e deslumbrante, acaba sendo ridiculamente sem jeito e totalmente intrometido. Mas tinha que fazer isso, afinal foi um impulso. Instinto.
E o estrago está feito. Fica feliz por algum motivo bobo, que te faz pensar que já está com aquela pessoa ou que algum dia estarás. Você, em algum lugar da mente confusa, pensa que é instinto, mas no fundo sabe que está começando algo que não é tão simples, sucinto, fácil, claro e objetivo. É complexo, extenso, difícil, obscuro e subjetivo. Contudo, não dá pra esquecer como aqueles olhos te prenderam no momento em que te abateram. Não dá pra negar como a voz ficou cravada na sua cabeça e que ela parece uma onda elétrica enfurecida que fica repercutindo e faz sua garganta tremer, o que faz parecer que aquela voz. pouco conhecida, está saindo da sua própria garganta e ao soar no seu ouvido faz com que cada músculo fique tenso, com que cada cabelo que existe arrepie, com que o sangue correndo queime. Essa é uma sensação constante. Desde aquele momento, ao lado da pessoa.
Logo,você começa a duvidar da sanidade. Afinal, conheceu a poucas horas. Horas. Logo você que nunca mais iria se apaixonar ou a que parecia não ter nascido pra isso, paixão foi uma coisa passada e que muitas vezes matou você por dentro de formas inimagináveis. E do nada, está lá. O coração começa a apertar e a bater rápido ao mesmo tempo. Sente-se tão estranho, afinal, foi tão intenso quanto inesperado. Não olha muito, afinal, pra que olhar pro rosto com os olhos aprisionadores. A voz que facilmente faria perder a cabeça e te seduzir. O conjunto de tudo o que estava fugindo e que por instinto agora estava absurdamente tentado a fazer coisas da qual não tem coragem.
Enfim, não consegue lembrar-se da voz, dos olhos, da boca,do cabelo, de qualquer coisa que deixa-lhe louco. Mas a sensação continua. Aquele aperto no tórax que só faz aumentar mais com a distancia. Principalmente, quando um ato de amizade inocente, na sua cabeça se torna um ato que poderia demonstrar um interesse diferente. O interesse que na verdade, você está querendo que fosse demonstrado. E isso te dá esperanças, de alguma que coisa, você não sabe o que é. mas não quer de jeito algum. Entretanto, ao mesmo tempo, agora, precisa, necessita. Agora, nesse exato momento é bom, você se sente bem. Mesmo com a dificuldade de respiração quando algum flash surge abruptamente na cabeça e faz você ficar tonto.
E ai você percebe que está apaixonado e que se não for paixão, porque é uma palavra ridiculamente forte e que se encaixaria perfeitamente na situação, é uma grande queda. É como se estivessem caindo do ponto mais alto do mundo, em queda livre após serem jogados com força por um gorila gigante e a gravidade fosse o dobro. Assim, após dar conta disso, você consegue entender o que é paixão a primeira vista? Você consegue realmente entender o que é paixão a primeira vista? Sim você consegue. Consegue entender o que paixão a primeira vista.
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